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A década incerta

 

 

Em abril deste ano, o site Legal Geeks lançou uma série de quatro webinars intitulados de “The Uncertain Decade” (A década incerta). 

O tema principal foi abordar os desafios sem precedentes que as empresas e os escritórios de advocacia enfrentam em um mercado global em constante mudança. Para auxiliar o setor a se adaptar a um novo cenário, foram convidados dois nomes de peso para debater o assunto: Mark Cohen e Richard Susskind.

Mark Cohen é CEO da Legal Mosaic, Executive Chairman da Digital Legal Exchange e palestrante internacional. Além disso, é autor de três ebooks e colaborador da Forbes nos últimos cinco anos. Também escreveu com frequência para a Bloomberg Law, The ABA Journal, The American Lawyer, Legal Business World e The Canadian Bar Journal.

Já o professor Richard Susskind é autor, palestrante e consultor independente de empresas globais e governos nacionais. Sua principal área de especialização é o futuro do serviço jurídico, com referência particular ao impacto da tecnologia da informação. Ele se especializou em tecnologia jurídica desde o início dos anos 80 e suas opiniões influenciaram uma geração de advogados e tecnólogos jurídicos em todo o mundo.

Além de escrever livros como The End of Lawyers? (Oxford 2008) e Tomorrow’s Lawyers (Oxford, 2013), ele escreveu cerca de 150 colunas ao The Times e é editor fundador do International Journal of Law and Information Technology. Seu trabalho foi traduzido para 12 idiomas.

Separei aqui alguns top comments que foram discutidos no segundo webinar da série (a matéria na íntegra você encontra nesse link). Espero que gostem!

Em que negócio estamos?


Essa é a pergunta que os operadores de direito devem fazer. Por um período muito longo, o advogado entregava unicamente o conhecimento jurídico; advogados e escritórios de advocacia haviam conquistado o mercado nisso. Agora, a prestação de serviços jurídicos envolve a interseção de conhecimentos jurídicos, comerciais e tecnológicos. Os advogados não são mais seus únicos fornecedores. A profissão está sendo integrada a uma indústria da qual os advogados fazem parte, ou seja, eles não são mais o todo. Isso é um paralelo à transição da prática médica para a prestação de serviços de saúde. (Mark Cohen)

A cultura pode mudar?

 

Geralmente é um processo lento. Cultura é como indivíduos ou organizações se identificam – o que valorizam e como se definem. A cultura jurídica, há tanto tempo isolada, está sendo remodelada de fora, não de dentro. Os clientes estão impulsionando e, com o tempo, transformarão a cultura jurídica. Será mais diversificado, inovador, orientado a dados, centrado no cliente, eficiente e ágil. (Mark Cohen)

Eu sempre disse que existem duas maneiras de resolver o desafio “mais por menos” no setor jurídico

  1. a estratégia de eficiência – cortando custos; e 
  2. a estratégia de colaboração – compartilhando os custos (clientes reunindo recursos). 

A própria estratégia de eficiência consiste em duas partes: trabalhando com pessoas qualificadas por um preço acessível ou utilizando tecnologias mais em conta. Embora o modelo de uso de mão de obra barata tenha atingido o pico em 2010, não acho que tenhamos esgotado a estratégia de eficiência, pois ainda não aproveitamos ao máximo a tecnologia. (Richard Susskind)

As pessoas não querem médicos ou neurocirurgiões, eles querem saúde. Esse é o resultado que eles estão buscando. Como advogados, o que esquecemos é que as pessoas realmente não nos querem; eles querem os resultados que trazemos. Costumo ouvir advogados falarem: “nossos clientes querem novas tecnologias, inovação e inteligência artificial“. Eles provavelmente não querem exatamente isso. O que eles desejam são honorários mais baixos, melhor atendimento ao cliente, melhor gerenciamento de riscos e melhores maneiras de mostrar seu valor aos negócios. A inteligência artificial e a inovação podem muito bem ajudar, mas não são fins em si mesmas. Elas não são o resultado. Se houver maneiras mais rápidas, baratas, diferentes, menos proibitivas e de custo mais baixo de obter os resultados que as pessoas desejam, podemos esperar que o mercado se padronize baseado nisso. (Richard Susskind)